UMA ANÁLISE SOBRE O
PRIMEIRO TURNO E OS RESULTADOS DEFINIDOS PARA SENADO, FEDERAL E ESTADUAL POR SERGIPE
A depender das
alianças e reação do eleitor, as águas vão rolar embaixo desta ponte frágil,
onde o nordeste será palco estratégico que poderá minar, um ou outro.
O que pesa sobre este segundo turno é - quem conseguirá
transferir votos para um dos candidatos? A boa colocação do candidato Ciro
Gomes lhe concede um poder de negociação neste processo, embora não defina,
sozinho, uma mudança de resultado. Sabemos que quem é Bolsonaro, continuará
sendo Bolsonaro! Quem é Haddad, idem. O
nordeste é uma região onde se concentra o maior número de cidadãos brasileiros
mantidos em “currais eleitorais”. Isto é fato. Eles são conduzidos como uma
boiada, votam pelo estômago, isto, a massa mais carente. Claro que temos uma
outra massa que vota pelo cérebro, mas o voto de grande parte dos nordestinos
passa por um programa chamado Bolsa Família. Muitos tem medo de perder este
benefício e, para que isto não aconteça, votam em quem tem certeza que não irá
tirar deles, este salário mensal. A verdade é que não existe, no nordeste, uma
política de emprego e renda, mas de benefícios. Isto é suficiente para bloquear
qualquer reflexão mais profunda em torno da realidade atual da política
brasileira. Um homem dependente de qualquer programa jamais será um homem
livre! Sou uma árdua defensora de programas sociais que priorizem estes no
mercado de trabalho. São eles que precisam desta independência, para não “matar
de vergonha ou viciar o cidadão.”
O resultado das urnas revelou um povo comprometido, ou não,
com as mudanças. A polarização é um fato. É preciso que se compreenda o que
cada grupo defende nas escolas, nos planos de trabalho, no modelo de economia,
no programa de segurança, na retomada de um processo na área da saúde, onde
tantos não precisem morrer para que outros possam comer. A distribuição dos
recursos resume o segredo de toda mudança.
Estamos diante de dois times – este é um clássico político onde a
direita e a esquerda vão duelar, voto a voto, em busca da cadeira presidencial.
E cabe a cada eleitor não se omitir nesta decisão. Porque até a omissão irá
gerar uma responsabilidade social. Nesta batalha, ninguém deve cruzar os
braços.
SENADORES POR SERGIPE
A vitória do Delegado Alessandro foi a vitória da liberdade
de um voto independente exercido pelo povo sergipano. A vitória de Rogério
Carvalho foi a vitória de Lula, a derrota de Jackson, a desmoralização das
pesquisas. A derrota de André Moura foi a certeza da insuficiência de sua
liderança no governo Temer, que pode ter sido o “anti-cabo” eleitoral de sua derrota.
Se tivesse se mantido no pleito para federal, sua vitória seria tranquila. O
ex- governador Jackson Barreto passou pela mesma crise que João Alves – aliados
do ex-prefeito o queriam como candidato, ele não queria, o convenceram, ele
perdeu. Jackson afirmou que não queria mais cargos, fez campanha contra si
mesmo, brigou com classes estratégicas, faltou-lhe uma assessoria que o
convencesse a medir palavras na condição de governador mas, ele seguiu seu
estilo, perdeu gosto para governar, deixou Belivaldo resolvendo grandes
problemas, pediu ao povo para não votar nele caso fosse candidato, mudou de
ideia, se candidatou, mas o povo não esqueceu suas declarações. O senador
Antônio Carlos Valadares, por ter caminhado praticamente sozinho, sendo Sergipe
um verdadeiro curral de lideranças, obteve uma colocação abaixo da média de sua
história política. Certamente o destino lhe reserva uma outra responsabilidade.
O fato é que Sergipe quis dar aposentadoria para seus antigos líderes. A
renovação no Senado mostra um eleitor mais consciente, especialmente no voto
delegado ao, por coincidência, um delegado.
GOVERNADOR/SE
A vitória de Belivaldo é a vitória da esquerda que continua
dominando espaços. A saída dos candidatos Eduardo Amorim e Valadares Filho,
como candidatos independentes, foi ruim para os dois. Agora, se querem
enfrentar um modelo de gestão diferente do que estão apresentando o atual
governo, terão que se unir e disputar voto a voto, no corpo a corpo, olho a
olho, casa em casa. O atual governador Belivaldo Chagas mostrou seu estilo de
governar, com uma independência política em torno de duas lideranças
estratégicas e, por sua posição corajosa, tem condições de enfrentar Eduardo e
Valadares, frente a frente. Isto, se um dos dois lados não decidir entrar no
barco do atual governo. Seria o fim da dignidade política de qualquer um dos
dois que ficaram em segundo e terceiro lugar.
Este segundo turno irá nos garantir uma boa briga para assistir de
camarote! Que vença o melhor!
FEDERAIS/SE
Esta escriba fez uma análise na semana passada sobre os
candidatos a federal, onde alguns destes foram eleitos. Reproduzo o que escrevi
sobre alguns dos eleitos.
BOSCO COSTA
2233 –
Líder tradicional no interior sergipano, atua como candidato de grupo, podendo
estar entre os possíveis eleitos.
FÁBIO
HENRIQUE
1212-
Está entre as novas lideranças de Sergipe, ocupou cargos importantes,
comunicador popular, pleiteia uma vaga, podendo alcançar uma boa votação. A
ocupação da cadeira vai depender da soma do grupo que está integrado. * (A
última observação fez sentido. Ele foi o último a ocupar a vaga)
FÁBIO
MITIDIERE
5555 –
Atua no cargo que ora disputa, possui um excelente relacionamento com diversas
lideranças do Estado, com chances de estar entre os mais votados.
FÁBIO
REIS
1515 –
Liderança tradicional do Interior, alcançará boa votação.
GUSTINHO
RIBEIRO
7777-
Liderança tradicional do Interior, terá boa votação.
JOÃO
DANIEL
1311 –
Esquerdista comprometido com as causas populares. Pontua como um dos mais
atuantes em torno dos interesses que motivam o posto que ocupa. Tenta
reeleição, porém, a ocupação dependerá da fidelidade dos grupos que participa.
* ( Os grupos foram fiéis ao candidato).
LAÉRCIO
OLIVEIRA
1111 –
Está entre as novas lideranças que se consolidou pelo modelo político que
desenvolve. Com visão de empreendedor, se cerca de técnicos, é bem relacionado
com diversas lideranças, e pode estar entre os mais votados do pleito.
·
Não fiz uma análise sobre Valdevan
Costa, por não conhecer sua vida política.
ESTADUAIS/SE
Entre
os candidatos a deputado estadual, fiz análise sobre alguns que foram
vitoriosos nas urnas.
CAPITÃO
SAMUEL
20123-
Ocupante de uma cadeira no posto que tenta reeleger-se, desenvolveu um bom
trabalho em favor da sua classe, e surpreendeu a muitos através de um projeto
de recuperação para drogados. Se soube articular com lideranças, pode ser bem
votado.
GARIBALDE
MENDONÇA
15000
– Político atuante, coleciona vitórias sucessivas no posto que ora ocupa.
Persiste na continuação, podendo estar entre os bem votados, se algumas
lideranças permanecerem ao seu lado.
GEORGEO
PASSOS
18777-
Um dos mais qualificados representantes que Sergipe já conheceu, no posto que
ora ocupa. Coloca o nome para avaliação de continuidade. Conhecedor das leis,
prestou um excelente serviço em prol dos sergipanos.
GILMAR
CARVALHO
20222
– Político popular, tem chances de alcançar uma boa votação pelo seu histórico
frente aos interesses da população sergipana.
IRAN
BARBOSA
13900
– Coerente com seus princípios, está entre os políticos mais bem preparados
para tratar de assuntos relevantes aos interesses da população. Se não for
atropelado pelos seus pares, pode lograr êxito.
JEFERSON
ANDRADE
55250
– Herdeiro de uma tradição política atuante, pode lograr êxito em seu objetivo,
se estiver com boas lideranças lhe dando sustentação.
LUCIANO
BISPO
15015
– Um dos líderes políticos mais populares do Estado, carismático, é considerado
um homem público de bom coração, apesar dos processos que já enfrentou.
Continua sendo amado pelos seus eleitores. Está entre os mais bem votados deste
pleito.
LUCIANO
PIMENTEL
40123-
Um executivo que se tornou político. Com uma postura séria, desenvolveu um bom
trabalho frente a Assembleia Legislativa. As chances de ser reeleito, dependerá
das articulações com lideranças.
MAISA
MITIDIERE
55555
– Herdeira de um político tradicional, respeitado por diversas lideranças,
estreia como candidata, ocupando a vaga deixada por seu pai. Tem chances de ser
eleita, fazendo dobradinha de sucesso com seu irmão.
MARIA
MENDONÇA
45555
– Uma das líderes políticas mais sérias de Sergipe, herdeira de um político que
fez história em Sergipe, com a crise desencadeada em seu agrupamento político,
apesar de sua assiduidade frente ao posto que foi eleita em diversas campanhas,
neste pleito, dependerá da fidelidade do seu eleitorado.
RODRIGO
VALADARES
14123
– Herdeiro de um político renomado que deixou saudades, tenta uma vaga na
assembleia. Jovem, tem um longo caminho a trilhar, podendo crescer neste
universo em que seu pai foi destaque.
TALYSSON
DE VALMIR
22222-
Filho de um importante líder político do interior, será facilmente eleito por
seu agrupamento. Pontua como nova representação comandada por seu pai.
ZEZINHO
SOBRAL
19000
– Político preparado para ocupar uma função no legislativo. Conhecedor dos
trâmites de Estado, se eleito, pode ajudar Sergipe com sua experiência.
GORETTI
REIS
55333
– Líder no interior sergipano, apesar dos percalços, conseguiu vencer uma etapa
e permanecer na disputa, podendo alcançar boa votação.
Dos 24
deputados eleitos, acertei 14.
O QUE PESA NESTE RESULTADO?
A
representação na esfera federal e estadual, corrobora a certeza do poder das
lideranças, especialmente no Interior. Houve dança de cadeiras. Renovação,
não. O amadurecimento político de um
povo passa por sua liberdade econômica. Coisa que nosso povo é privado. Apesar de termos alguns bons líderes nas
funções acima mencionadas, minha análise não passa pela pessoalidade de nenhum
eleito. Analiso a motivação do voto do eleitor de massa que se encontram nas camadas mais pobres da população.
O que
desejo aos eleitos é que façam um bom trabalho, honrem nosso povo, sejam justos
e misericordiosos com seus opositores, surpreendam com uma competente atuação
na esfera estadual e federal. E que Deus possa guiar aqueles que se permitem
ser guiados por Ele, neste segundo turno.
·
Antônia Amorosa é colunista do Jornal
Correio de Sergipe, membro das Academias Itabaianense e Aracajuana de Letras,
cantora, compositora.
