sábado, 5 de janeiro de 2019


                    CULTURA VAI, CULTURA VEM, CULTURA, CULT, CURA, TUR, CULTURA
P/ Antônia Amorosa

                   Ao saber das mudanças em torno do destino da nossa cultura, já tão humilhada, ignorada, esquecida, confesso que não percebi no atual governador, má vontade em contribuir com avanços para a pasta. No entanto, não tive como não lembrar de uma passagem bíblica em Matheus 9:16,17, onde Jesus diz que “Ninguém põe um remendo de pano novo numa veste velha, porque arrancaria uma parte da veste e o rasgão ficaria pior.” E, na sequência, complementa no versículo 17, afirmando que “Não se coloca tampouco vinho novo em odres velhos; do contrário, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se perdem. Coloca-se, porém, o vinho novo em odres novos, e assim, tanto um como outro se conservam.”
Ora, a cultura é o primeiro sinal de reconhecimento e riqueza de um povo! A nossa, com raríssimas exceções, é tratada por alguns gestores como um presente de grego a um aliado, uma cesta de flores com pedras e, em casos específicos, um fardo insuportável que se entrega a um aliado que não podemos mandar embora. A verdade dói como dor de dente, mas ela deve ser dita. Aqui, a cultura de pedras inauguradas e memórias revividas, são tratadas com fogos e filarmônicas. Os trabalhadores da cultura são tratados com massagens de ego (homenagens) e encaixe nas grades de programação de última hora, sem garantias de imediato recebimento.
Sabemos que a Aperipê já é, em si, um problema, com várias demandas a serem corrigidas. Sabemos também que a extinta Secretaria de Cultura estava perdendo seu quadro de funcionários, ano após ano, sendo sustentada por cargos comissionados. Estamos tratando de dois odres velhos. Deste modo, nem um e, nem o outro, são novos. Diante deste quadro preocupante, o desafio da nova gestora é gigantesco.  Sendo uma agente pública acessível, não temos dúvida que Conceição Vieira vencerá muitos embates pela delicadeza inerente ao seu estilo. No entanto, não consigo vislumbrar possibilidades de avanços em curto e médio prazo, comportando ações tão diferentes, mesmo que sejam parentes, numa mesma casa. Mídia é mídia, políticas públicas de cultura é outra coisa. Mas, se não houve outra forma de cuidar desta filha bastarda que quase ninguém quer criar, oremos para que ela sobreviva. Porque nossa cultura é como gata – nasceu para ter sete vidas. Oro para que dobre sua dolorosa ressurreição. E torço que a nova gestora consiga realizar um grande trabalho, a serviço de uma área tão incompreendida e desprezada. 
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       * É Cantora, colunista, membro das academias Itabaianense e Aracajuana de Letras.